AVC: fatal em 30% dos casos
Tratar corretamente a pressão alta, reduzir o peso, visitar regularmente o médico são cuidados que ajudam a diminuir a incidência do Acidente Vascular Cerebral (AVC), doença grave responsável por cerca de 5 milhões de mortes no mundo. No IJF, de 25 a 30% dos atendimentos na emergência são por AVC.
A pressão alta também compromete ao longo do tempo o cérebro, levando ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o AVC mata por ano cerca de 5 milhões de pessoas. Só no Instituto Doutor José Frota (IJF), ano passado, dos 2.521 atendimentos na emergência por derrame cerebral, 712 resultaram em internações e 42 foram a óbito. De janeiro a março deste ano, já foram 13 mortes e 162 internações na unidade pelo mesmo motivo.
O derrame cerebral, como também é conhecido o AVC, é fatal em 30% dos casos. Ele acontece quando há rompimento de um vaso sangüíneo que transporta o oxigênio para o cérebro, causando lesões que alteram as funções controladas pela área afetada. Dor de cabeça, perda da força muscular (braço, perna), dificuldade de falar, dormência, desmaio, visão turva são alguns sintomas da doença, que tem como principal fator de risco, a hipertensão arterial. Além desse, aumenta as chances de ter a enfermidade, o fumo, a diabetes, sedentarismo e doenças cardíacas não tratadas adequadamente.
A cardiologista Ana Lúcia de Sá Leitão Ramos, diretora do Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH), lembra que diabetes e hipertensão, duas doenças crônicas, aparecem entre os principais fatores desencadeadores das cardiovasculares e as do aparelho circulatório. O cirurgião geral Romel Araújo, diretor do serviço de Emergência do IJF e da Sociedade Médica de Emergência, diz que, infelizmente, ainda é grande o número de pessoas que chegam à unidade com AVC. Elas representam de 25 a 30% dos atendimentos de emergência. "Muitos só descobrem que são hipertensos no serviço quando chegam já com o vaso rompido".
Araújo acrescenta ser importante trabalhar os fatores modificáveis para reduzir a incidência do derrame cerebral. Nesse grupo, estão o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol, a redução do peso, a prática de exercício físico. "Tomar a medicação corretamente, seja para pressão ou doença cardíaca, faz a diferença". Ele acrescenta que é comum o paciente parar a medicação quando tem a pressão normalizada, quando isso não deve ocorrer. "Se a pessoa tem algum elemento do grupo de risco, deve redobrar os cuidados".
Cerca de 40% das aposentadorias precoces são em decorrência do AVC, segundo o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Isso porque o problema deixa seqüelas que incapacitam o indivíduo para atividades físicas. Foi o que ocorreu com a dona de casa Maria das Graças da Silva, 55. Portadora de diabetes e hipertensão, ela diz que se descuidou do tratamento e foi surpreendida por um derrame. "Por pouco não morri, mas perdi o movimento da perna e tenho que andar arrastando, não tenho muita força no braço". Segundo ela, está recuperando os movimentos aos poucos com sessões de fisioterapia. (Fátima Guimarães)
Fonte: No Olhar